terça-feira, 16 de novembro de 2010

Enfim, vazio.

Com essa lágrima seca em caminho a boca, essas calças já molhadas na barra, essa jaqueta velha jogada pelos ombros e esse cabelo desarrumado a voar com o vento eu andava pela aquela mesma avenida que andamos semana passada. Só de lembrar, me dói aqui no peito. A palavra "passado" já me machuca, e a "lembrar" me corrói. Deveria ser assim mesmo? A história tá mesmo sendo escrita certa em linhas tortas? Será que não estamos indo torto nas nossas linhas retas? Chega, acabou e coração pare de se lamuriar, olhos parem de chorar, dor pare de doer, e que eu.. que eu pare de amá-la. Por mais difícil, por mais doloroso, esse amor de agora nada mais adianta. Queria apertar algum botão, e esvaziar toda a dor, todo o amor, toda a alma, e voar. Esquecer da vida, dos problemas, do mundo, me desligar. Sentada agora na praça, olhares esquisitos vindo daquela família da esquerda, vontade mandar se danar é grande, mas a força pra falar não.
Se eu subir nesse banco, gritar no alto falante da loja ao lado teu nome, você volta? Se eu disser que tá doendo assim, você volta? Se eu gritar que o coração aqui tá quebrado, você me dá aquele abraço - com direito a beijo surpresa de brinde - e volta? Se eu lhe escrever um poema romântico e dizer que todos os outros já escritos eram pra ti, você vem? Mente, não me mande esse "não" na testa, a dor já é grande demais pra mais uma facada final. Assim destruída eu volto pra mim, engulo meu coração e deixo as lágrimas rolarem, é melhor assim. Esvaziar.

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