quinta-feira, 10 de março de 2011

Malditos 30

Chegando a segunda semana dessa falta imensa dentro do peito, nunca pensei que até as palavras me deixariam na mão. Me enganei. A primeira semana passou ardente, mas passou, e veio chegando a segunda, cortando aqui e ali, não aguentei, nem que fosse pra sair 3 linhas eu precisava escrever. Precisava rever essa vazia página branca aqui no bloco de notas, que ao mesmo tempo era lotada de idéias e vontades de escrever textos e mais textos. Mas eu abria, colocava aquela música mais chorosa, e nada. Nadinha. Ou vinha. Mas vinha uma merda tão grande que era até vergonhoso de mostrar pra alguém, nem relia, de tão ruim que era.
A cada letra desse texto perco uma grama, e vou perdendo, perdendo, até que tudo vai ficando mais leve. Com mais cor. Não sei você, mas desde que tomei esse gosto de escrever não consigo mais viver sem. E tô falando sério mesmo, deve ser o vício, mas me doía, tu não sabes o quanto, ficar aqui relendo esses textos velhos e tolos. Queria coisa nova, sentimentos novos, páragrafos novinhos em folha. Ia passando os dias e a dor ia crescendo, o peito ia inchando de nada, de solidão. O coração ia lotando de palavras, lotando, lotando, até que a gente explode. A gente chora, ri, grita, sussurra, bate, apanha, cai, levanta, vive, mas com uma dorzinha. Sabe como é, faltava contar pro bloco tudo que aconteceu. Contar que eu vi ela semana passada, que caí hoje de manhã, colocar todo aquele sentimento de antes, o bloco deve ter sentido nesses últimos 30. Malditos.
O último fora numa madrugada, daquela super nostálgicas, que você coloca aquela música pra lembrar dela, deixa as memórias invadirem, e vai, vai, aí que percebe que tá chorando com os fones de ouvidos no último, cantando a música, com a foto dela minimizada e contando pro bloco aqui tudinho. Toda a dor. Ele te entende. Ô bloco, desculpa os palavrões, as lágrimas, mas só tu pra me entender. Tô dizendo, esses 30 dias foram de destruir a alma viu?
Hoje, só pra variar, eu tô sentindo falta dela. Mas também de você bloco. Por mais que me dilacere a ausência dela, a tua me cortou na alma. As palavras, ah, essas aí merecem um xingo bem dado. Onde já se viu sumir por tanto tempo? Isso não se faz. Não comigo. Não agora. Nunca, tá me entendendo? Tô me sentindo em um diário rs, escrevendo aquelas bobeirinhas de criança, do toque de mão da pessoa amada, da briga com o melhor amigo, da quebra do brinquedo favorito... Isso também me falta. Minha infância, sabe bloco? Era boa, ô, como era. Pudera eu dar um tapa nessas crianças de hoje que acham que a vida é computador. Mas tudo bem, deixo essa pra próxima bloco, hoje tô querendo dizer de nós e dos 30.
Nesses últimos 30 dias que fiquei sem ti, percebi uma coisa: sou uma merda sem escrever. Preciso. É algo mais forte, entende? É aquela vontade louca de acordar com texto pronto, postar, e ver que mais alguém te entendeu e sentiu o mesmo. De escutar aquela música e pensar em uma frase, daí vindo outra, e mais outra.. Aquela vontade de explodir aqui. Vícios são todos horríveis, mas esse meu vício de ti, eu amo viu. Por mais que me mate com a ausência, me lota de amores a cada ponto final. Escrevo, e amo. Escrevo, e sinto. Escrevo, e vivo.
Tem varios melhores, eu sei. Tem aqueles que sabem demosntrar teu amor com textos de 5 linhas, ou aqueles que escrevem 15 parágrafos e te deixam sem palavras a cada linha. Sei bem que tem gente que recebe fama pelas palavras, mas não sei se tô aqui pra isso. É mais meu, entende? É mais minha fome, do que alegria dos outros que leem. Sei lá o que é, como descrever, mas sei de uma coisa: não há vício melhor que esse, e não houve dias piores que esses 30.

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